domingo, 25 de dezembro de 2016

A Astrologia e Nossas Celebrações

Nestes tempos agora eu estou fazendo um exercício de sentir a essência de cada signo solar na minha própria vida e no ambiente ao meu redor. É uma prática que já tem alguns meses, e que me faz perceber certas relações entre nossas celebrações e os signos solares.

O Carnaval, por exemplo. Às vezes acontece em Aquário, onde as ideias se ampliam e se inter-relacionam de uma forma muito mais elaborada e mais criativa (quando é no começo de fevereiro) e às vezes está na vibração de Peixes, tendendo a trazer um certo acúmulo de energia, tenso, movimento contido (o pisciano sabe bem o que é isso). Como será que essa dualidade se reflete no carnaval?.

Já a Páscoa é um feriado religioso. No judaísmo, é relacionado à libertação da escravidão no Egito. No cristianismo, seria a celebração da ressurreição de Cristo. Em ambos os casos, acontece em Áries, o signo da energia incontida, capaz de quebrar velhas estruturas (seja quebrar a escravidão, seja quebrar a morte).

O dia de Tiradentes, 21 de abril, símbolo da inconfidência mineira contra o domínio português, entra na área intermediária entre Áries e Touro. Tem algo da energia de Áries, mas também tem a solidificação inicial de Touro. Ou seja, um passo concreto na direção que se almejava prosseguir.

Já o dia da Independência do Brasil, 7 de setembro, aconteceu no signo de virgem, que traz a necessidade de uma escolha concreta, exigente, consciente.

A Proclamação da República então, 15 de novembro, aconteceu bem no signo de Escorpião. Escorpião exige introspecção, uma avaliação franca daquilo que nos corresponde ou não. Ora, a proclamação da república foi justamente motivada pela insatisfação da classe então dominante em relação ao império

Sobre esta data, o que chama a atenção é que é normalmente nela que tomamos nossas decisões mais importantes no âmbito da política, através do voto. Justamente quando Escorpião nos conecta com nosso próprio íntimo.

Curioso aplicar a astrologia dessa forma. Descobrindo o que cada etapa significa e como podemos agir para fazer o melhor de cada momento. É um trabalho diferente do que simplesmente dizer "Esse ano vai ser assim" ou "Esse ano vai ser assado".

Agora temos o Natal e então o Ano Novo, dias depois da entrada em  Capricórnio. Impressiona como a mudança de um signo para o outro acontece e a realidade se transforma, mesmo que as pessoas só percebam isso depois. Na entrada de Capricórnio, a rotina da cidade muda. É quando muita gente resolve tirar férias.

Férias? Aparentemente isso não tem nada a ver com capricórnio, pelo menos não como uma espécie de evento característico. Ora, Capricórnio vibra trabalho, sacrifício, uma visão de que algo precisa ser feito agora, para um bem maior. O detalhe é que aparentemente tudo se resume a comprar presentes, convidar parentes, agendar viagens, e talvez pudesse ser algo mais significativo para nós mesmos, e é.

É quando nos dispomos a fazer algo diferente para o outro ano. É por isso que concentramos tanto esforço em celebrar esse período.

Isso me faz questionar sobre o quanto realmente o trabalho (nos outros períodos do ano) nos realiza. Quantos de nós deixaríamos de trabalhar se, de repente, ganhássemos uma fortuna? Será que os valores que cultivamos no trabalho realmente correspondem ao ímpeto capricorniano? Trabalhamos por ideal ou por mera necessidade de sobrevivência? Afinal Capricórnio nos leva justamente a esquecer a rotina.

O estímulo desse período está aí, recorrente, na mesma época todo ano, porém cada pessoa responde conforme seu próprio preparo. Em geral muitos respondem da mesma forma. Ainda assim, esse é um bom período para refletir sobre o quanto nosso dia-a-dia está (ou não) sendo significativo, e começar a fazer algo a este respeito.

De fato nós fazemos muitos votos à cada entrada de um novo ano (também sobre essa influência capricorniana). Vem aquele propósito de transformar tudo, de fazer o próximo ano valer mesmo a pena. E nem sempre isso acontece. Tudo volta a ser como antes? Porque será?

Talvez sejam velhos conceitos que não mudam. Limitações que consideramos normais. Escolhas conscientes ou inconscientes que se repetem.

Enfim, fica a dica para mudar o próximo ano. Descubra onde quer investir seu esforço agora, nesse momento capricorniano. Leve à sério os votos que pretende realizar, e então priorize esta escolha.

Um feliz Natal e um feliz Ano Novo a todos!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Se Eu Fosse Deus

Uma reflexão. Talvez um tanto que poética, simplificada demais, imprecisa, mas eu acredito que é bem adequada até mesmo como metáfora para repensar a natureza do divino.

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Se Eu Fosse Deus

Se eu fosse Deus, eu me entediaria de saber tudo sobre o futuro, sobre as coisas, sobre ser tão perfeito.

Eu me entediaria de mim mesmo. Eu dissiparia a mim mesmo, desintegrando-me em pura luz, espalhando em todas as direções, tal como um quebra-cabeças, sem olhos, sem ouvidos, sem boca, sem nada.

Só o impulso de unir-me e o impulso de separar-me. Só a habilidade de perceber, a habilidade de estimular, revelar energia, para gradualmente integrar de novo. Só para formar de novo um quadro e, talvez, um quadro diferente.

Cada fragmento de mim seria como um ser novo, tornando-se mais consciente a medida que se unisse a outros fragmentos, tornando-se mais inconsciente a medida que se separasse de outros (mais tarde eu chamaria isso de Bem e Mal). Eu olharia para mim mesmo e não me reconheceria. Acharia ressonâncias dentro de mim. Feriria a mim mesmo, sem mesmo perceber que seria eu lidando comigo mesmo.

Muito de mim iria reconstruir estrelas, e das estrelas novas estrelas, e daquelas estrelas planetas. Galáxias, buracos negros, buracos de verme. Eu os reconstruiria todos.

Algumas vezes eu me tornaria seres especialmente conscientes, capazes de replicar a si mesmos, mas eles não perceberiam que cada um deles simplesmente seria eu. Lutariam pela sobrevivência, ainda sem entender que não poderiam realmente morrer, porque seriam eu (e eu não poderia morrer como um todo). De fato, como eu os seria, no fim das contas sou eu que não seria capaz de entender nada disso.

Alguns seres que me tornaria seriam ainda mais conscientes. Até mesmo iriam suspeitar que se assemelhavam a mim.

Eu adoraria a mim mesmo, oraria a mim mesmo. Odiaria a mim mesmo. Causaria guerras por causa de mim mesmo mas, de repente, iria perceber que era apenas eu mesmo.

Surpreendente.

Uma intuição. No começo eu não acreditaria mas então, mais e mais, isso retornaria à minha mente, pela mente dos mais diversos seres que eu teria me tornado.

Eventualmente eu reintegraria a mim mesmo, e talvez eu me lembrasse de algo do começo. Finalmente, eu acredito que me entediaria de novo e começaria tudo mais uma vez...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A Sabedoria de Tears For Fears

Tears For Fears e sua sabedoria.

Minha interpretação de Everybody Wants to Rule The World. Uma reflexão sobre a vida e sobre as escolhas conscientes, semiconscientes, inconscientes.

Buscas, desafios, excitação, desilusão. Risco. Sem garantias, mas pelo menos a possibilidade. O começo da busca do transcendente.

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Everybody Wants To Rule The World
Todo Mundo Quer Governar o Mundo
Tears For Fears

Bem vindo à sua vida
Não há mais retorno
Mesmo enquanto dormimos
Vamos encontrar você

Não fuja de seu caminho. Você já está nele e não há para onde retornar. Você vai se revelar. Vamos encontrar você, mesmo inconscientes, vamos encontrar você.

Agindo da sua melhor forma
Dê as costas à Mãe Natureza
Todo mundo quer governar o mundo

Não há outro jeito de agir, senão do seu. Não é sábio sempre ceder, nem sempre buscar a harmonia. Dê as costas. Assuma sua diferença. Mude o mundo. Todo mundo quer mandar no mundo

É meu próprio projeto
É meu próprio remorso
Ajude-me a decidir
Ajude-me a fazer o máximo

Fundamente-se na sua visão. Sinta todo o impacto da culpa pelos seus erros. Procure ajuda para se decidir. Procure apoio. Procure quem pode lhe levar ao seu melhor.

De liberdade e de prazer
Nada nunca dura para sempre
Todo mundo quer governar o mundo

Ser livre é o que faz sentido. O prazer faz sentido, não a dor. Mas nada tem sentido para sempre. Ainda assim, mude o mundo. Todo mundo quer mandar no mundo.

Há uma sala em que a luz não vai lhe encontrar
Segurando nossas mãos juntas enquanto as paredes desabam
Quando o fizerem eu estarei bem atrás de você

Sua chance é imensa de chegar a um beco sem saída e todo seu sonho desabar, mas não importa, vamos estar juntos.

Tão felizes pelo que quase fizemos
Tão tristes que tiveram que desfalecê-lo
Todo mundo quer governar o mundo

Vamos nos orgulhar de onde chegamos. Vamos nos entristecer pelos que não entenderam e não nos permitiram. Todo mundo quer mudar o mundo, nós e eles.

Não suporto essa indecisão
Casado com a falta de visão
Todo mundo quer governar o mundo
Diga que nunca nunca nunca nunca vai precisar
Uma manchete, porque acredito ?
Todo mundo quer governar o mundo

O que fazer então? A visão é imperfeita, não consegue prever tudo. Todo mundo quer se impor. Por favor, você que está comigo, não mude... Porque acredito nos outros? No fim das contas, todo mundo quer mandar no mundo.

Tudo pela liberdade e pelo prazer
Nada nunca dura para sempre
Todo mundo quer governar o mundo

No fim das contas, só ser livre é que faz sentido. A dor não faz sentido algum, só o prazer. A verdade é que... todo mundo quer mandar no mundo.


2016 - Ano de Complementações

2016, ano novo chegando e trazendo consigo uma nova vibração, ressonando complementação. Certamente uma palavra muito promissora, mas com um significado um tanto sutil. Não se trata exatamente da materialização daquilo que almejamos, e sim daquele impulso que também deveríamos buscar se, conscientemente, por esforço próprio, procurássemos desenvolver as qualidades que nos permitiriam tornar real aquilo que mais almejamos que seja real.

Sutil demais, eu sei. Digamos que 2016 vai mostrar, bem diante de nossos narizes aquilo que nos falta, se algo nos falta (e sempre há algo por melhorar). Pode ser desconcertante descobrir a qualidade que precisamos desenvolver para concretizarmos nossos objetivos. Pode causar resistência de nossa parte. De fato, será um exercício de aprendizado. Uma chance de nos tornar mais sábios sobre o que realmente nos importa na vida. 

Agora, pode acontecer dessa lição já ter sido aprendida. Nesse caso, 2016 trará uma excitante materialização, tanto do que mais desejamos quanto do que completa e torna real aquilo que buscamos. Será, certamente, uma oportunidade de colheita para o indivíduo consciente de seus potenciais internos e das dinâmicas e mecanismos para que estes se concretizem, notadamente no que diz respeito à magia.

Ou seja, 2016 trará à tona aquilo que precisamos aprender a lidar para sermos completos. Intrigante se essa manifestação se traduzir em uma ou mais pessoas. Isso acaba por nos dar uma chance de conversamos com o que precisamos assimilar. Assim transformamos o que seria uma experiência de aprendizado numa oportunidade de harmonização. Pares podem se encontrar de uma forma bem interessante. E na magia, então? Contatos importantes, há muito tempo esperados, podem se desenvolver.

Óbvio que o que quer que 2016 revele, só irá complementar aquilo que temos realmente buscado. Se apenas reagimos às experiências do dia-a-dia, sem nos deixarmos motivar por deixar uma marca, nada acontecerá pois não haverá coisa alguma a ser complementada.

2016 vai trazer, portanto, muitas possibilidades. Espero, sinceramente, que você consiga aproveitá-lo ao máximo. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aprendendo a Fazer Escolhas

Nunca fiquei muito tempo sem emprego. Já fui demitido, já pedi minha demissão, várias vezes. Porém, bastava colocar meu currículo em dia, usar ao máximo minha rede de contatos, voltar a me cadastrar nos sites especializados e, enfim, ir atrás do que aparecesse, para que logo uma nova oportunidade surgisse. Algumas vezes, porém, certas experiências em recrutamentos aconteceram primeiro em sonho (por mais estranho que isso pareça - o motivo, ainda vou discutir aqui no blog) para se tornarem fatos concretos somente meses depois.

Na realidade, eu já conversei e teorizei sobre este tema. Tratam-se de sonhos que se tornam reais, em detalhes, após entrarem em um período razoavelmente longo de esquecimento. Quando acontecem, a lembrança deles vem de súbito à mente. São experiências deste tipo (dentre outras) que me fazem recordar que a realidade não é apenas acaso. A psique se manifesta como causa na experiência individual.

Retornando à história, algo que eu realmente queria, na época, era encontrar uma oportunidade profissional em que eu me sentisse realmente valorizado. Ou seja, onde houvesse uma boa remuneração de fato, ao invés de simplesmente "Muito bom! Excelente trabalho! " (e nada mais palpável). Algumas pessoas que eu conhecia já estavam em carreiras que eu considerava interessantes naquele tempo. Eu dizia a mim mesmo que queria seguir seus exemplos, mas hoje devo reconhecer que, no fundo, tratava-se de simples inveja.

Meu trabalho era conhecido por seu rigor nos detalhes. Em uma época em que poucos se preocupavam com conceitos de qualidade, eu levava à cabo detalhadas verificações do software que eu produzia. Tudo isso era bom, não fosse pelo fato de que eu gostava dos elogios e, no fundo, me considerava melhor que os demais.

Ocorreu que, em um sonho, eu estava diante de uma proposta. Alguém perguntava a mim se eu a aceitaria. Não me recordo de mais nada a respeito do que havia acontecido antes, mas eu sabia intuitivamente que aquela era a proposta que eu tanto ansiava por obter.

De repente percebi que se tratava de um sonho e, por instinto, desejei que tivesse sido real. Ato mágico. Uma semente plantada em solo fértil dentro do inconsciente. Veio o esquecimento. Passou-se o tempo. Até que aconteceu de eu estar em São Paulo, em um processo seletivo.

Enfim tratava-se da alta remuneração que eu ambicionava (ou, pelo menos, é o que eu acreditava), além do status de trabalhar em uma grande capital. O movimento ao caminhar pelas ruas era algo do qual, um dia, eu fizera parte. Eu sentia saudade.

Saudade de um tempo que antecedia aquele momento. Saudade das grandes feiras tecnológicas que sempre fizeram parte do cotidiano daquela cidade. Saudade de um tempo ido, misturando-se a outras expectativas.

No entanto havia o preço. Eu assumiria contratos, mas não os decidiria. Um horário para chegar, nenhum para sair. Algumas pessoas me asseguravam: "Este é o modelo de trabalho no Brasil agora. É um tanto assustador a princípio, mas você se acostuma. Vale a pena.".

Fosse há cinco anos, eu não me importaria em dispor de todo meu tempo. Eu colocaria sim, todas as minhas fichas no dinheiro. Entretanto, naquele momento eu percebi que desejava envolver-me mais com outros aspectos da vida (o ocultismo, entre eles). Desejava ter meu próprio espaço e meu próprio tempo. Queria um lar, uma vida mais simples e uma rotina aconchegante.

Tinha boas lembranças, sim, de uma São Paulo do passado, porém percebia, naquele instante, que aquele tempo se fora. Diante de mim, estava o mesmo rapaz que aparecera no sonho, querendo saber se eu aceitava, ou não, aquela oferta. "Não ", respondi. 'Pensei melhor. Não é o tipo de trabalho que eu estou procurando".

Mal respondi e a lembrança da experiência astral veio à minha mente, de súbito, causando-me assombro. Algo em mim mudou desde então. Nunca mais invejei aqueles que seguiram este caminho.

A reação à minha resposta não foi negativa. Na realidade, não foi a última vez que tive esse tipo de proposta. Anos depois a mesma empresa entrou em contato de novo, e rejeitei a oferta outra vez, polidamente. Enfim chegou um tempo que trabalhamos juntos por um tempo, em outras condições. Outra empresa fez uma proposta semelhante a mim, para ajudar em um projeto nos mesmos termos, e aceitei temporariamente. Poderia ter continuado em outros projetos mas, pelos motivos que já expus, não quis.

Tudo isso valeu para que se reafirmassem em mim minhas convicções. Quando se trata de magia, é preciso separar o que é causa do que é efeito. A magia, em um sentido mais amplo, é a busca de realização plena, que começa de dentro para fora. Óbvio que toda escolha é pessoal, variando de indivíduo para indivíduo, porém sempre é o externo que deve ser dependente do interno, e não o contrário.

Quando se está preparado, o que é interno se materializa externamente. Não é uma questão de chance única, como pensam alguns. Mesmo que você cometa uma falha, mesmo que você deixe passar uma oportunidade, o que vibra no mago internamente simplesmente teima em se manifestar externamente, esteja ele consciente ou não.

Se você se deixa seduzir por alguns resultados (deixando o processo que criou estes resultados para segundo plano), você acaba se desconectando, até mesmo, do que já obteve (quase supérfluo dizer que muitos falham justamente por este tipo de fraqueza). Antes de se pretender controlar o que há ao redor de si, é necessário aprender a ser coerente principalmente consigo mesmo.

No final das contas, é o Si-Mesmo que é o fundamento da realização do mago.

domingo, 20 de setembro de 2015

Buscando Opções - A Numerologia do Número 6

Continuo então minha história na magia, seguindo a estrada dos arcanos, e agora introduzindo a vocês o número 6. Aliás, falando em numerologia de uma forma geral, é interessante que recentemente eu tenho conversado bastante sobre este assunto. Normalmente as pessoas pensam que temas como numerologia e astrologia dizem respeito somente a aspectos psicológicos. É possível até que, para a maioria das aplicações, estas artes sejam mais direcionadas a estes aspectos mas, aqui neste blog, falamos de magia.

Magia, no significado mais amplo, não é uma simples manipulação da realidade. Na verdade, trata-se de manifestar-se na realidade. Os ciclos numerológicos (e também os astrológicos) interagem com o que se tem internamente, e quanto mais intenso for aquilo que há no seu interior, mais evidentes são os resultados concretos que surgem dessa interação.

Chegamos pois ao número 6, dentro de um conjunto de 18 números, ou 18 arcanos (que é diferente do tarot, que são 22 arcanos). É o começo do que se costuma chamar de Estrada dos Arcanos. Pelo fato de estarmos no princípio, a maior parte das experiências práticas são “certinhas”, sem grandes sustos, nem grandes impactos negativos. Existem sim experiências assustadoras, porém são de contato com o inconsciente, invisíveis para as pessoas ao redor que convivem com o mago (nas experiências mundanas de rotina).

Ainda assim, mesmo no princípio da estrada dos arcanos, as mudanças acontecem. Nessa época, de uma forma geral são muito boas (há etapas muito mais sérias, porém mais adiante no caminho). Aqueles que não conhecem o processo mágico (e é bom mesmo que pouca gente conheça - afinal para que servem curiosos?), admiram que o indivíduo esteja dando um jeito à sua vida, mas não conseguem relacionar estes avanços pessoais à magia.

A magia se realiza pelas vias mais naturais e simples possíveis e, por isso, é difícil de ser verificada. É como uma alteração de probabilidades. Talvez a única forma de se perceber que alguém a pratica de forma bem sucedida, seja por situações improváveis que acontecem sucessivamente. Episódios de sorte, por assim dizer. Sorte. Porém, sorte no amor ou sorte no dinheiro? Só existem estes dois tipos? Não. Talvez haja uma infinidade de tipos de sorte. Tudo depende do que você tem por dentro de si e que já esteja preparado para materializar.

O número 6 traz consigo um estímulo de busca de conhecer as possibilidades, levando-nos a nos comunicar com as pessoas para descobrir o que elas têm a oferecer (mas dificilmente assumindo compromissos). No meu caso, eu estava relativamente tranquilo (porém não totalmente satisfeito) na empresa J. Não estava em nenhum projeto específico, ainda sobre a influência do número 5 (o qual é um tanto pacificador, trazendo certo equilíbrio entre as pessoas). Eu estava então noivo, mas ainda não tinha uma data certa para o casamento.

Foi então que senti a essência do 6 se aproximando, embora na época eu nada entendesse de numerologia. Foi algo bem intuitivo. Profissionalmente tudo parecia estável, mas eu sentia que essa estabilidade estava para acabar. Foi aí que eu propús à C que nos casássemos no civil apenas, sem a cerimônia religiosa. Assim, se algo acontecesse, já estávamos casados, um tanto que secretamente. Sem que outros soubessem. Dito e feito. Um mês depois, perdi o emprego. O acerto por conta da demissão havia sido realmente de um bom valor. Não me sentia preocupado e comecei a procurar opções. Foi assim que o número 6 entrou no meu caminho, digo especificamente naquele período.

Pessoas que nascem em uma data ressonante à esse número costumam ter uma natureza curiosa, gostando de conhecer as novidades, sem necessariamente se comprometerem. Este é o traço principal da influência deste número nas pessoas.

De forma secundária, comparando a relação destes indivíduos com outras influências numerológicas, pode-se dizer que, em geral:
- são pessoas práticas, não muito motivadas por conceitos abstratos;
- são especialmente comunicativas em situações novas e desafiantes;
- desligam-se gradualmente de pessoas que interagem de forma “fria”;
- quando se decidem por uma ação dura (porém necessária), procuram fazê-lo de forma a serem justas com a maioria das pessoas;
- procuram agir dando pequenas contribuições no dia-a-dia, ao invés de tentarem mudar o mundo inteiro (mas podem chegar a querer fazê-lo se, de repente, estiverem em posição para tal atitude);
- quando enfrentam conflitos e impedimentos, ampliam ainda mais suas próprias ideias. Ou seja, os conflitos lhes trazem aprendizado;
- se você tenta contê-las, cuidado, podem voltar-se contra você (especialmente, eu sei disso de experiência própria, afinal sou casado com C, que é influenciada pelo número 6);

Quer saber qual é o número que lhe influencia? Leia o post Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos. Ali existe uma fórmula, não muito intuitiva, mas que pode lhe ajudar nesse sistema de 18 números.

Até breve!

sábado, 15 de agosto de 2015

Quero que Você Seja Real

Certa vez vi uma mulher jovem, encostada à uma parede, vestindo uma jaqueta e sorrindo para mim. Simpatizei e, subitamente, tive consciência de que estava sonhando. Sim, era um sonho e visualizava uma pessoa dentro de um sonho.

Eu já sabia do poder imenso que se tem quando se expressa um desejo dentro de um sonho. Afinal, antes disso, eu já tivera outros que se tornaram reais, detalhe por detalhe, só porque, ainda imerso neles, eu havia afirmado que gostaria que fossem reais (ou, até mesmo, simplesmente que seria bom que fossem reais). E aconteceram, de fato, anos depois.

Pois então, eu estava sonhando, consciente. Sendo eu então um mago impulsivo (e ainda sou), passou uma ideia um tanto mirabolante por minha cabeça. A questão era: "Será possível? Será que eu posso alterar a malha da realidade nesse momento, orientando-a?". Nada tinha a perder. Fiz o teste. Olhei para os olhos da garota à minha frente e disse: "Eu quero que você seja real.".

Estava dito. Bastaria isso para torná-la real, ao longo do tempo? Ela sorriu de uma forma zombeteira e desapareceu diante de meus olhos. O que significou aquele sorriso? Parecia estar dizendo a mim: "Tolinho, eu já sou real.".

Este poderia ser um sonho como qualquer outro, mas acabou ficando entre aqueles dos quais jamais esqueci. O fato é que, anos depois, nasceu minha filha e cresceu com o passar do tempo, desenvolvendo-se. Cabelos negros, a cor de pele, o olhar, o sorriso matreiro e bem-humorado ao qual já me acostumei a ver tantas vezes. O jeito tímido, mas não excessivamente. Enquanto os anos se passaram, e particularmente nos últimos, comecei a me lembrar sem querer do sonho, mais e mais vezes, até que comecei a intuir porquê. Mas será? Será que a intuição está certa?

A maior parte destes sonhos em que eu planto uma semente, eu só recordo depois que acontecem, e nos detalhes. Porém alguns deles ficam em minha consciência desde o princípio. Servem como farol em diversas circunstâncias da minha vida. Parecem dizer-me: "Não se preocupe. O que quer que aconteça, irá levá-lo àquela direção. Basta continuar seguindo em frente".

Supondo que quem eu vi no sonho seja, de fato, minha filha, de onde nos conhecemos antes? É certo que minha alma sabe muito mais do que o que está aqui nos meus neurônios. Embora eu possa sentir algo (muitas vezes a falta de algo), não posso dizer o quê exatamente, pois não me recordo, mesmo que sinta. Procuro apenas estar receptivo ao que se passa na alma, deixando-a influenciar-me.

Quando nos tornamos receptivos ao que a alma nos faz ouvir, tomamos frequentemente as atitudes certas, porém sem conhecer os motivos certos. É como se agíssemos impulsivamente, de uma forma um tanto inconsequente, e é bem assim que me sentia no sonho. No entanto, não se trata de uma real inconsequência (não quando há um apelo da alma). É apenas um tipo de decisão que não encontra apoio na razão, nas memórias que existem ali no cérebro. O motivo de tudo vem de lembranças mais antigas do que o corpo, que não pertencem a ele. Acabamos então, realizando aquilo que viemos realizar nesse mundo e só depois de muito tempo (e com ajuda da intuição), entendemos que cumprimos nosso papel.